Na garganta, no peito, algures por aqui. Não é em sentido figurado. É uma coisa física, que se sente mesmo.
Não a conhecia, nem de vista. Mas estava lá. Todos os dias levava e ia buscar os miúdos à escola. Tal como eu. Os filhos dela partilham aquele espaço mágico de paz e amor que é aquela escola, aquela casa, com os meus.
Sinto-me um bocado infantil. Conheço pessoas que eram amigas dela. E familiares. Que têm todas as razões para chorar e estar angustiadas. Mas fiquei tão impressionada que ainda estou com aquele nó. Quase não chorei ontem, quando soube. Limpei umas quantas lágrimas, como toda a gente. Em silêncio. O resto ficou cá dentro. Preso aqui, algures entre a garganta e o esófago. Não desce. Já chorei a sério, sozinha. Ainda não se resolveu. Sei que acontecem coisas destas todos os dias, em todo o lado. Mas quando de alguma forma as nossas existências tocam, ainda que ao de leve, esses acontecimentos, não é só "um caso". Tem nomes, idades, envolvências.
De certeza que há uma lógica, um sentido, uma ordem nisto. Nós é que somos muito pequenos para a entendermos, por mais que nos punhamos em bicos de pés. Estamos muito cá em baixo, falta-nos perspectiva. Ainda não chegámos ao topo da montanha. Provavelmente, em cada degrau vamos ver um pouco mais, entender um pouco mais, aceitar um pouco mais.
Talvez eu não fique com este nó se voltar a ouvir uma história assim quando tiver 50 ou 60 anos e os meus filhos já forem adultos...talvez. Ou talvez fique na mesma, mas talvez aceite melhor.
Também não sei quantos degraus vou ter de subir para lá chegar...
Aquela mãe de duas crianças tão pequenas, mulher de alguém, filha de alguém, amiga de alguém, já lá chegou.....será que entendeu?

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